terça-feira, 14 de maio de 2019

Todos temos um pouco de maldade




Na psicologia, existe um conceito chamado de "tríade obscura". Este trio infame é composto de traços de personalidade que definem o que costumamos chamar de "pessoa ruim".
O primeiro desses traços é o narcisismo. Pessoas narcisistas tendem a se concentrar em si mesmas, fantasiar com poder ilimitado e precisar da admiração constante dos outros.
Em seguida vem a psicopatia, isto é, falta de empatia com os demais. É a característica própria de pessoas manipuladoras, não confiáveis e que não se importam com os sentimentos ou interesses de outras pessoas.
Essa turma do mal é completada pelo "maquiavelismo". Pessoas que têm esse comportamento muito acentuado costumam ter atitudes cínicas e adotarem estratégias cujo único propósito é beneficiar seus próprios interesses.
Os três traços estão presentes nas pessoas emocionalmente frias. Alguns estudos mostraram que pessoas com altas pontuações na "tríade obscura" também possuem níveis baixos de características como simpatia, honestidade e humildade.
Recentemente, uma equipe de psicólogos da Universidade de Western Ontario, no Canadá, sugeriu em um artigo acadêmico que uma quarta característica deveria ser incluída nessa combinação do mal: o sadismo.
A 'TÉTRADE' OBSCURA
Os especialistas definem o sadismo como "uma tendência a se envolver em comportamentos cruéis, degradantes ou agressivos em busca de prazer ou dominação". Na linguagem comum, ser sádico é gostar de causar sofrimento aos outros.
Várias das características do sadismo se sobrepõem às características da tríade, mas, ao mesmo tempo, dizem os pesquisadores, este tem aspectos únicos que justificariam estudar a possibilidade de somá-lo à tríade. Seria a "tétrade obscura".
Para chegar a essa conclusão, os psicólogos submeteram um questionário com nove questões a 202 universitários (54 homens e 148 mulheres), entre 17 e 26 anos.
Estas são as nove questões do teste, em que os participantes tiveram que marcar de 1 a 5 o quanto concordaram com essas afirmações:
1. Eu aplico peças nas pessoas para que elas saibam que eu estou no controle da situação;
2. Eu nunca me canso de pressionar as pessoas ao meu redor;
3. Eu prejudicaria alguém se isso significasse que eu estaria no controle;
4. Quando eu zombo de alguém, acho engraçado vê-lo com raiva;
5. Ser mau com os outros pode ser divertido;
6. Dá prazer ridicularizar as pessoas na frente de seus amigos;
7. Acho divertido ver as pessoas brigarem;
8. Eu penso em ferir as pessoas que me irritam;
9. Eu não machucaria ninguém de propósito, mesmo que essa pessoa não goste de mim.
As respostas dos estudantes levaram os pesquisadores a concluir que, apesar do sadismo compartilhar algumas das características do narcisismo, da psicopatia e do maquiavelismo, "não pode ser reduzido a (uma manifestação dos) outros três".
Minna Lyons, pesquisadora da escola de psicologia da Universidade de Liverpool, não participou do estudo canadense. Ela, porém, concorda que o sadismo é uma característica em si.
O sadismo é interessante porque parece diferente da tríade obscura", disse Lyons à BBC Mundo. "Se alguém tem pontuação alta em psicopatia, ele não necessariamente gosta de causar dor a outras pessoas, então parece ser um traço de personalidade distinto."
Para Lyons, é importante estudar esses comportamentos entre pessoas comuns, não apenas entre pessoas que foram diagnosticadas com um distúrbio de personalidade, para ver como essas características se entrelaçam com outros comportamentos.
Além disso, ela adverte que essas características fazem parte do comportamento diário das pessoas. E que, em certas circunstâncias, podem inclusive ser benéficas.
"É normal que haja pessoas com alto índice de sadismo, o que não faz delas anormais. Inclusive o fato de ter uma pontuação alta não te torna necessariamente uma pessoa má", explica Lyons.
"(Essas características) tornam-se problemáticas no momento em que começam a interferir na vida, ou a pessoa começa a perder o controle, e começa a prejudicar outras pessoas e a si mesmo", diz a psicóloga.
Ela também alerta para o fato de que esse tipo de teste é apenas uma ferramenta de medição. Não é usado como diagnóstico, já que muitos outros fatores devem ser levados em consideração ao avaliar o comportamento de uma pessoa.

domingo, 10 de março de 2019

Deixar partir também é um gesto de amor...


 Quando vivemos um amor de verdade queremos que ele seja muito feliz, mesmo que não possa mais estar ao seu lado O amor nem sempre é simples, nos foi passado através das histórias infantis que o final sempre é feliz, o príncipe e a princesa sempre terminam juntos. Um encontro de almas onde tudo é mágico, leve e tranquilo. É assim que o amor devia ser sempre, como um modelo chave e fechadura, onde o encaixe fosse perfeito e não houvesse nenhuma interferência ou desarmonia.Durante a vida tem quem tenha vivido somente um amor, tem quem tenha conhecido vários, cada um construindo uma história que envolve sentimentos, entrega, cumplicidade e companheirismo. Seria perfeito se pudéssemos sair ilesos de todos eles, mas na nossa cultura, a forma como vemos e vivemos determina muito de nossas ações e expectativas em relação ao que esperamos de um relacionamento.Nesse caminho que vamos percorrendo podemos esbarrar no grande amor de nossa vida, aquele que te toca no fundo da alma, em que encontra segurança, leveza e uma profunda sensação de paz. Muitos são felizes e conseguem seguir em frente com as diferenças que vão surgindo, vão se fortalecendo e encontrando novas formas de seguirem juntos.Mas nem sempre os parceiros estão dispostos a olhar e rever comportamentos quando começam a surgir as diferenças. Um sempre acaba se impondo, mesmo na aparente liberdade, a sua forma de pensar. Faz valer os seus desejos na grande maioria das vezes, e o outro por amor acaba cedendo, muitas vezes sem a consciência de quanto se anular pode resultar em um final danoso para o relacionamento.Até que chega um momento em que algo desperta e nos damos conta de que, apesar de amar o outro, não estamos felizes. Tentamos negociar, mostramos outros caminhos, mas o desejo de mudar e fazer dar certo precisam estar presentes em ambos os parceiros, caso contrário, nada irá mudar.É nesse momento que percebemos que não podemos desejar pelo parceiro, que ou ficamos e aceitamos o que não nos faz feliz, ou saímos da relação. O amor é importante, mas ele sozinho não é base para um relacionamento dar certo, é preciso muito mais. Ambos devem estar comprometimentos em fazer algo para reparar as arestas que surgem. Cada um precisa olhar para si mesmo e para o outro e estar disposto a negociar, a experimentar fazer diferente.E quando não há mais possibilidade de caminhar juntos, deixar a si mesmo e o outro livre para construir outra história também é um ato de amor. E é nesse momento que decidimos ir em frente, olhando para os nossos desejos. Apesar de estarmos com a alma partida, sabemos que estamos seguindo o caminho mais assertivo, que ficar só iria destruir o que foi construído com muito amor.Muitas vezes encontramos outro parceiro nessa caminhada, outras vezes sabemos e sentimos que o grande amor de nossa vida já foi vivido. O sentimento permanece, sua essência está lá, pulsando dentro de seu coração. Nesse momento acolhemos o sentimento e a história dentro de nós mesmos, deixando que a vida nos ofereça outras formas de sermos felizes.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Palavras Magicas1

Nestes tempos de incredulidade sistêmica, saibam, amáveis leitores, que existem sim, palavras mágicas.
Nos anos 50 do século passado, um brilhante cronista escreveu: “A arte de conversar não está perdida; está atrás do aparelho de televisão”.
Com crianças de cerca de três anos, devemos estabelecer uma norma de conduta. Tratá-las com o mesmo protocolo principesco do tempo de nossos avós.
“Meu querido, por favor, lave suas mãozinhas antes de sentar-se à mesa para almoçar !”
Em seguida, devemos nós mesmos lavar nossas mãos. As palavras comovem, mas o exemplo arrasta !”
Servido o primeiro pedaço de bolo, devemos dizer à dona da casa, “Muito obrigado”. Por espírito de imitação, os pimpolhos farão o mesmo ao receberem suas porções. E ainda alguns duvidam de que descendemos dos macacos !
Ao tentarmos atravessar uma passagem obstruída por alguém, digamos: “com licença”.
Conforme os rebentos forem crescendo, ensinemo-lhes as mesmas coisas em outras línguas:
“S'il vous plait ...”; “Please...” ; “Prego...”; “Por favor...”
“Merci”; “Thank you”; Grazie”; “Gracias”.
Finalmente: “Permettez moi...”, “I beg your pardon”, “Scusate”, “Permiso”.
Carlos Maurício Mantiqueira