--“Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu" ........... Darcy Ribeiro
quinta-feira, 20 de junho de 2013
terça-feira, 18 de junho de 2013
quarta-feira, 12 de junho de 2013
E se fosse na "Ditadura Militar”?
Por Aileda de Mattos Oliveira
Se o peculato de Lula, por se apossar dos bens pertencentes ao Estado Brasileiro, acondicioná-los em onze caminhões, entre eles o que carregava a adega do Palácio Alvorada, espetacular carreata comprobatória da ausência de pudor por constituir norma de sua conduta tomar como próprio o patrimônio ao alcance da mão rapinante; se, repetimos, este fato ocorresse na tão difamada "ditadura" militar, o autor da espoliação seria levado à execração pública, promovida pelo peculatário de hoje, autodidata em técnicas de enriquecimento ilícito.
Se no jogo de interesses, com fins rentáveis de grandes proporções ‑ o "mensalão" ‑ ocorresse no tempo da fria "ditadura", os sindicatos, arrebanhados pelo mais emérito professor em estelionato político, iriam pregar a baderna na Cinelândia, centro nervoso da esquerda carioca, para a conclamação ao caos total. Os caras-pálidas pintadas, à frente das câmeras DAQUELE canal, iriam mostrar como os 'estudantes' reagiriam aos "golpistas" de direita.
Se os cavilosos negócios em terras estrangeiras do finório trapaceiro-mor com empresas que parece terem adquirido vínculo de vitaliciedade no governo, e tornar-se assíduo passageiro dos seus jatinhos; se um órgão do Estado permite dirigente estrangeiro em terras amazônicas, sem convite oficial, como se já fossem possessões suas; se o mesmo órgão, à revelia dos superiores, alia-se ao CIMI para novas demarcações de terras indígenas, o que a imprensa assalariada não iria dizer, se esses fatos, o de denegrir a imagem do país no exterior em troca de depósitos em sei lá que paraíso fiscal e o de desobediência civil de uma instituição criada para proteção dos 'oprimidos' índios e defender as terras brasileiras, ocorressem nos tempos negros da "ditadura" militar?
Certamente, diriam que os milicos, falantes defensores da pátria, alimentavam a sua 'caixinha' com os burgueses da elite empresarial e abriam às nações amigas e às falsas missões religiosas as terras soberanas do país, entregando nossas riquezas ao vil "governo mundial".
Se a arrogância do chefe da quadrilha, ao exigir substituições radicais na Suprema Corte para se livrar da pífia punição a que foi submetido, tentando sobrepor-se a ela, e se essa afronta fosse um ato de algum membro da indigna "ditadura" militar, esse infeliz saído da caserna não escaparia à virulenta malhação pública, verbal e física, em nome da ética esquerdista, da moral socialista, das virtudes comunistas, todos santos valores da comunidade vermelha.
Se o dinheiro da Nação, perdulariamente gasto pela viajante presidente, em viagens oficiais, fosse usufruído por algum presidente dos anos de treva e de chumbo da "ditadura" da disciplina e da ordem, seria tachado de "pé de poeira", insaciável esbanjador do dinheiro público.
Se a falta de caráter do presidente; se a promiscuidade que instituiu no poder, levando como bagagem de mão a sua musa predileta, fosse norma do presidente da cruel "ditadura" militar que, em visitas oficiais, ajeitasse alguma Rose em aviões da FAB, ficaria desmoralizado dentro e fora dos quartéis.
Se das oito mil casas prometidas no farsesco programa de assistencialismo eleitoreiro da desastrada senhora não foi construída sequer uma choupana, sem que se saiba aonde foi parar a verba destinada a tão grandiosa obra popular de engenharia; se o presidente da sombria "ditadura" militar que, num estado de estupidez, fizesse a mesma promessa em voz marcial, seria contemplado com uma bela manchete de: LADRÃO!
Se a transposição do rio São Francisco, burlesco ato político, acabou em terra arrasada, levando pelo ralo os custosos reais do contribuinte; se a transformação do cenário num deserto franciscano ocorresse durante a infame "ditadura" militar, o que diriam do presidente quanto ao rombo nos cofres da Nação? Que o brutamontes era um demagogo prevaricador.
Mas... como a vil "ditadura" militar somente trouxe desenvolvimento ao país, inclusive na área da Educação, instituindo Mestrado e Doutorado, do qual título a senhora presidente quis surrupiá-lo para diminuir o mal-estar que lhe causa o seu vergonhoso currículo de atiradora de elite;
Mas... como a torturante "ditadura" militar ofereceu aos trabalhadores benefícios que o partido dos desocupados nunca "antes na história deste país" pensou em criar, como o PIS, o PASEP, o Fundo de Garantia, o FUNRURAL, entre outras benfeitorias, transformando a vida da classe trabalhadora, hoje, refém dos aliciadores petistas pela crença na igualdade socialista;
Mas... como na época da sinistra "ditadura" os presidentes militares, truculentamente, permitiram que as pessoas de bem pudessem transitar pela cidade, exercendo o seu direito de ir e vir, a qualquer hora do dia e da noite, como estatui qualquer democracia que se preze, sem serem molestadas por bandidos, protegidos hoje por leis adocicadas na sem-vergonhice dos interesses políticos;
Mas... como esses militares, urutus humanos, torturadores dos delinquentes que hoje ocupam o trono de Brasília, sem nenhuma sequela, permitiram a população assistir à sessão de meia-noite nos cinemas de qualquer bairro, adornada com suas joias e saísse dos bailes, madrugada a fora, andando pelas ruas em tranquila animação;
Os esquerdistas, o maior conjunto de pusilânimes que já se concentrou num mesmo espaço geográfico, invejam a "ditadura" por incompetência, ignorância, por somente conseguirem apoio à custa do domínio da consciência dos 'assistencialializados', da deterioração da Educação, da degradação moral da população sem luzes como eles, para alimentar a fome de totalitarismo.
O único erro dos truculentos, dos torturadores, dos desalmados militares, cruéis "ditadores", irresponsáveis agentes da melhor época do Brasil, no século XX, o único erro, temos que enfatizar, foi trazer de volta os predadores da Nação.
Por Aileda de Mattos Oliveira
http://www.alertatotal.net/2013/06/e-se-fosse-na-ditadura-militar.html
quarta-feira, 5 de junho de 2013
domingo, 2 de junho de 2013
AMORFIA social...
Milton Simon Pires
Um trem de passageiros em alta velocidade matou, na quinta-feira, quatro elefantes no leste da Índia depois que o motorista não conseguiu parar a tempo, informou um ministro do governo à AFP.
O parágrafo acima, com uma enorme foto de um elefante atropelado, estava na capa da edição eletrônica de um dos maiores jornais do Rio Grande do Sul na tarde de 31 de maio.
Há algum tempo venho tentando alertar, para desgosto de muitos jornalistas sérios que conheço e publicam, em seus blogs, o que escrevo que já existe uma censura na nossa mídia. Apesar de ser diferente daquela implementada pelo Regime Militar, ela funciona muito bem. Na verdade eu diria que é até mais eficaz do que a anterior, pois atua em silêncio. É simplesmente constrangedor o número de manchetes estapafúrdias que os jornais brasileiros apresentam hoje em dia. As informações mais inúteis, mais sem sentido, mais ridículas possíveis ocupam páginas e mais páginas.
Atualmente penso que quem escreve esse tipo de notícia já não o faz de modo consciente.Tornou-se vítima de um mundo fútil, de um eterno presente em que nada do passado faz sentido e o futuro ainda não veio. Nos últimos dias Porto Alegre recebeu, como hóspedes oficiais, guerrilheiros das FARC e não se viu notícia em jornal algum. Pessoas morrem nas emergências dos hospitais sem acesso ao tratamento adequado e não se diz nada. Nunca houve tão poucos policiais pela cidade e nós continuamos calados.
Até aonde isso vai? Queimam-se vivos dois dentistas e o Brasil fica quieto, mas atreva-se alguém a cortar uma árvore ou chutar um cachorro para ver a repercussão na internet. Qualquer, mas qualquer mesmo, notícia relacionada à preservação do ambiente, homossexualismo, e direitos das minorias tem preferência total em relação às gravíssimas questões da educação, da segurança, e da saúde! Estas, quando são tratadas com "seriedade" são abordadas por comentaristas de futebol, vencedores do Big Brother ou ex-modelos, pô!
Esse tipo de jornalista merece ataque constante e não pode ter, da parte de qualquer leitor sério, nenhum tipo de trégua. Mudem aquilo que estão escrevendo por que ainda existem pessoas inteligentes no Brasil!
Tenho a impressão de que a rotina de certos "jornalistas" quando chegam ao trabalho pela manhã não deve ser mais do que procurar notícias como essa dos elefantes. Depois, reunidos e tomando café, gastam o resto da manhã falando mal do Lobão.
http://www.alertatotal.net/2013/06/depois-falam-mal-do-lobao.html
Um trem de passageiros em alta velocidade matou, na quinta-feira, quatro elefantes no leste da Índia depois que o motorista não conseguiu parar a tempo, informou um ministro do governo à AFP.
O parágrafo acima, com uma enorme foto de um elefante atropelado, estava na capa da edição eletrônica de um dos maiores jornais do Rio Grande do Sul na tarde de 31 de maio.
Há algum tempo venho tentando alertar, para desgosto de muitos jornalistas sérios que conheço e publicam, em seus blogs, o que escrevo que já existe uma censura na nossa mídia. Apesar de ser diferente daquela implementada pelo Regime Militar, ela funciona muito bem. Na verdade eu diria que é até mais eficaz do que a anterior, pois atua em silêncio. É simplesmente constrangedor o número de manchetes estapafúrdias que os jornais brasileiros apresentam hoje em dia. As informações mais inúteis, mais sem sentido, mais ridículas possíveis ocupam páginas e mais páginas.
Atualmente penso que quem escreve esse tipo de notícia já não o faz de modo consciente.Tornou-se vítima de um mundo fútil, de um eterno presente em que nada do passado faz sentido e o futuro ainda não veio. Nos últimos dias Porto Alegre recebeu, como hóspedes oficiais, guerrilheiros das FARC e não se viu notícia em jornal algum. Pessoas morrem nas emergências dos hospitais sem acesso ao tratamento adequado e não se diz nada. Nunca houve tão poucos policiais pela cidade e nós continuamos calados.
Até aonde isso vai? Queimam-se vivos dois dentistas e o Brasil fica quieto, mas atreva-se alguém a cortar uma árvore ou chutar um cachorro para ver a repercussão na internet. Qualquer, mas qualquer mesmo, notícia relacionada à preservação do ambiente, homossexualismo, e direitos das minorias tem preferência total em relação às gravíssimas questões da educação, da segurança, e da saúde! Estas, quando são tratadas com "seriedade" são abordadas por comentaristas de futebol, vencedores do Big Brother ou ex-modelos, pô!
Esse tipo de jornalista merece ataque constante e não pode ter, da parte de qualquer leitor sério, nenhum tipo de trégua. Mudem aquilo que estão escrevendo por que ainda existem pessoas inteligentes no Brasil!
Tenho a impressão de que a rotina de certos "jornalistas" quando chegam ao trabalho pela manhã não deve ser mais do que procurar notícias como essa dos elefantes. Depois, reunidos e tomando café, gastam o resto da manhã falando mal do Lobão.
http://www.alertatotal.net/2013/06/depois-falam-mal-do-lobao.html
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Caminhando para o buraco...
Carta do Ze Cochilo (do campo) para seu colega Luiz (da cidade)
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luciano Pizzato e Barbosa Melo
Prezado Luiz, quanto tempo...
Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão e que por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda, eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra, né Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver aí na cidade que nem vocês. Não que seja ruím o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos aí da cidade. To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro de uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou, deve ser verdade, né Luís?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né ), contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou.
Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana, aí não param de fazer leite. Ô, os bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encompridar uma cama, só comprando outra, né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luís, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelos fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu, eu e Marina (lembra dela, né? Casei) tiramos o leite às 5 e meia, aí eu levo o leite de carroça até a beira da estrada, onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor.
Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos, as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas.
O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não vai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luís, aí quando vocês sujam o rio também pagam multa grande, né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios aí da cidade.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luís? Quem será?
Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora! Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vir fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo, aí eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei.
Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foram os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado, Luís, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, aí tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar aí com vocês, Luís. Mas fique tranquilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Aí é bom que vocês é só abrir a geladeira que tem tudo.
Nem dá trabalho, nem plantar, nem cuidar de galinha, nem porco, nem vaca, é só abrir a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe, Luís, não pude mandar a carta com papel reciclado, pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.
(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.)
O texto foi originalmente escrito por Luciano Pizzatto que é engenheiro florestal, especialista em direito sócio ambiental e empresário, diretor de Parque Nacionais e Reservas do IBDF-IBAMA 88-89, detentor do primeiro Prêmio Nacional de Ecologia. Foi adaptado por Barbosa Melo.
http://www.alertatotal.net/2013/04/carta-do-ze-cochilo-do-campo-para-seu.html
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luciano Pizzato e Barbosa Melo
Prezado Luiz, quanto tempo...
Eu sou o Zé, teu colega de ginásio noturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar do sítio sempre atrasava, lembra né? O Zé do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de meia légua para pegar o caminhão e que por isso o sapato sujava.
Se não lembrou ainda, eu te ajudo. Lembra do Zé Cochilo... hehehe, era eu. Quando eu descia do caminhão de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormi já era mais de meia-noite. De madrugada o pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Zé Cochilo você lembra, né Luis?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver aí na cidade que nem vocês. Não que seja ruím o sítio, aqui é bom. Muito mato, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de teus amigos aí da cidade. To vendo todo mundo falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.
Veja só. O sítio de pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os matutos daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter porque não se pode fincar os postes por dentro de uma tal de APPA que criaram aqui na vizinhança.
Minha água é de um poço que meu avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um homem do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, porque a água vai se acabar. Se ele falou, deve ser verdade, né Luís?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi, né ), contratei Juca, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Carteira assinada, salário mínimo, tudo direitinho como o contador mandou.
Ele morava aqui com nós num quarto dos fundos de casa. Comia com a gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e da Delegacia do Trabalho, elas falaram que se o Juca fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra noturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana, aí não param de fazer leite. Ô, os bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto de Juca e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Nossa! Eu não sei como encompridar uma cama, só comprando outra, né Luis? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz elétrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Juca.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Luís, tive que pedir ao Juca pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelos fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. Semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque botou um chocolate no bolso no supermercado. Levaram ele pra delegacia, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Juca saiu, eu e Marina (lembra dela, né? Casei) tiramos o leite às 5 e meia, aí eu levo o leite de carroça até a beira da estrada, onde o carro da cooperativa pega todo dia, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu jogo fora.
Os porcos eu não tenho mais, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor.
Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos, as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas.
O promotor disse que desta vez, por esse crime, ele não vai mandar me prender, mas me obrigou a dar 6 cestas básicas pro orfanato da cidade. Ô Luís, aí quando vocês sujam o rio também pagam multa grande, né?
Agora pela água do meu poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata ciliar dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios aí da cidade.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, né Luís? Quem será?
Aqui no mato agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora! Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no escritório daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Ibama da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vir fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo, aí eu vi que o pau ia cair em cima da casa e derrubei.
Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Promotor porque virei criminoso reincidente. Primeiro foram os porcos, e agora foi o pau. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado, Luís, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mil reais por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco o sítio numa semana. Então é melhor vender e ir morar onde todo mundo cuida da ecologia. Vou para a cidade, aí tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar aí com vocês, Luís. Mas fique tranquilo, vou usar o dinheiro da venda do sítio primeiro pra comprar essa tal de geladeira. Aqui no sitio eu tenho que pegar tudo na roça. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Aí é bom que vocês é só abrir a geladeira que tem tudo.
Nem dá trabalho, nem plantar, nem cuidar de galinha, nem porco, nem vaca, é só abrir a geladeira que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nós, os criminosos aqui da roça.
Até mais Luis.
Ah, desculpe, Luís, não pude mandar a carta com papel reciclado, pois não existe por aqui, mas me aguarde até eu vender o sítio.
(Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.)
O texto foi originalmente escrito por Luciano Pizzatto que é engenheiro florestal, especialista em direito sócio ambiental e empresário, diretor de Parque Nacionais e Reservas do IBDF-IBAMA 88-89, detentor do primeiro Prêmio Nacional de Ecologia. Foi adaptado por Barbosa Melo.
http://www.alertatotal.net/2013/04/carta-do-ze-cochilo-do-campo-para-seu.html
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