sábado, 23 de janeiro de 2016

So a morte, nao tem jeito...

Em oportuno artigo publicado no jornal Valor Econômico nesta sexta-feira, os ex-conselheiros da Petrobras Mauro Rodrigues da Cunha e José Guimarães Monforte fazem uma síntese precisa dos erros que levaram à ruína da estatal, lançam um lúcido chamado a sua "reinvenção" e não se furtam a propor medidas concretas para tirar a empresa do buraco. "É chegada a hora de repensar a Petrobras de maneira radical", escrevem.
De maneira didática, a dupla identifica quatro frentes de degradação da companhia: 1) a "pseudopolítica de preços suicida, que logrou ao mesmo tempo fragilizar a companhia, inviabilizar o modelo competitivo preceituado pela Lei do Petróleo e pela Lei do Cade e paralisar a indústria do etanol"; 2) o "plano de investimentos megalomaníaco, onde os números eram recorrentemente torturados para justificar o injustificável"; 3) a "estrutura ideológica de protecionismo", que criou um 'mercado' onde "o único comprador precisava comprar muito, e era limitado a um universo restrito de fornecedores"; 4) e o aparelhamento, com consequente desprestígio de um excelente quadro técnico, que resultou na saída de bons profissionais. Embora atravesse todas as quatro frentes, a corrupção não é tratada como fonte principal da ruína da empresa. "Ela é, ao mesmo tempo, causa e consequência", escrevem.
Cunha e Monforte lembram que, embora a situação da companhia pareça hoje dramática, a tragédia começou a ser gestada há mais de dez anos. "O balanço e o plano de negócios da Petrobras já eram inviáveis com o petróleo a US$ 70, mas esses fatos poderiam ser disfarçados por muito tempo, principalmente considerando-se a complacência do mercado, que financiou tudo isso por tanto tempo", escrevem. Por isso, argumentam, deve-se comemorar o tombo das cotações. "O petróleo a US$ 30 atua como um 'wake up call'."
E, no entanto, não parece que a atual administração da empresa tenha acordado. "Em que pesem os novos planos anunciados, não se consegue responder à principal pergunta: afinal, para onde vai a Petrobras?", explicam. O quadro que os ex-conselheiros desenham é desolador: "Temos uma companhia sem direção, com um corpo técnico machucado, ameaçado pela reestruturação e liderado por uma diretoria indicada em grande parte pela administração anterior, e de forma interina. Não há qualquer garantia que seus membros - para não falar todas as áreas da companhia - compartilhem algo próximo de uma visão sobre o futuro da Petrobras."
Profundos conhecedores da companhia, Cunha e Monforte fazem duras críticas ao programa de venda de ativos, que "pode representar a perda de uma oportunidade de ouro de reestruturação setorial". Eles citam como exemplo o caso da alienação de participações em distribuidoras de gás e alertam: "Provavelmente estamos falando do maior programa de privatização da história, sendo executado de forma independente por uma companhia sem os processos, transparência e controle que, por exemplo, marcaram a venda de ativos públicos no passado."
Hora da verdade - Cunha e Monforte pertenceram ao conselho de administração da Petrobras como representantes dos acionistas minoritários, nas vagas destinadas respectivamente a detentores de ações ordinárias (com direito a voto) e preferenciais (sem direito a voto). Sabem, portanto, do que falam. Ambos deixaram o colegiado no primeiro semestre de 2015, pouco após a chegada de Aldemir Bendine à presidência da estatal, no lugar de Graça Foster. De saída, Cunha apontou em carta sua "frustração pessoal com a incapacidade do acionista controlador (a União) em agir com o devido grau de urgência para a reversão dos inúmeros problemas que trouxeram a Petrobras a sua atual situação".
Intitulado "A hora da verdade - reinventar a Petrobras", o artigo publicado nesta sexta-feira renova as críticas e propõe que a empresa seja repensada sob três aspectos, que se traduzem em três perguntas: "gerencial (qual tamanho de empresa pode ser administrado racionalmente?), estratégico (quais são as sinergias efetivamente valiosas a se manter integradas?) e de interesse nacional (queremos depender tanto de uma só empresa?)."
Após condenar o gigantismo inadministrável da estatal, os ex-conselheiros defendem que ela seja dividida em várias empresas, conforme a lógica de cada segmento - o setor de refino, por exemplo, pressupõe muitos competidores, ou não se cumpre o objetivo previsto na Lei do Petróleo de promover a livre concorrência. Feita a divisão, a dupla pondera, "a decisão sobre a manutenção do controle estatal de cada uma das empresas seria uma discussão em separado, que a sociedade precisaria enfrentar". "O desenho teria a vantagem de otimizar a gestão de um dos setores mais relevantes da nossa economia, trazendo transparência e produtividade. Em outras palavras, gerando valor, que é a única forma de se pagar a monumental dívida que foi imposta pelo governo à Petrobras."
O artigo termina esperançoso de que mudanças para valer possam de fato resgatar a companhia. "E o Brasil, finalmente, deixaria de ser refém de uma única empresa que, como vimos, pode cair nas garras de agentes nem um pouco alinhados com o interesse público que levou à sua criação em 1953."

http://veja.abril.com.br/noticia/economia/ex-conselheiros-fazem-chamado-a-reinvencao-da-petrobras

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Feliz 2016...sentiremos saudades de 2015

Carlos Maurício Mantiqueira
Tenha algum dinheiro em espécie em casa. Não muito; o suficiente para viver dois meses. Atualmente as crises são cada vez mais violentas e mais curtas.
Tenha alimentos em casa. Não muito; o suficiente para viver dois meses. Feito o estoque, continue comprando nos supermercados de forma habitual.
Consuma o produto com data de validade mais curta e guarde o com data mais longa. Não conte aos vizinhos sobre isto. Em caso de calamidade eles saquearão sua casa.
Tenha medicamentos em casa.
O colapso do desgoverno será brutal e inesperado.
Com o agravamento da crise, queda na arrecadação, aumento do desemprego e surgimento de novos escândalos ou revelações, o congresso nada votará (aumento de impostos, “ajustes”, diminuição de gastos, etc.
A classe política está podre. Sabe que cairá mais cedo ou mais tarde. Prefere mais tarde.
A mídia amestrada perdeu a credibilidade. Surgirão novos jornalistas independentes.
Se não houver intervenção constitucional, haverá guerra civil.
Atualize sua agenda de contatos. Dê prioridade para os parentes e amigos médicos.
Obtenha o endereço residencial de todos eles. Só e-mail e telefone não bastam. Lembrem-se que os bandidos podem cortar a energia elétrica, as comunicações telefônicas e a internet (como já aconteceu com o WhatsApp).
Mantenha sempre cheio o tanque de combustível de seu carro.
Não ostente na forma de se vestir.
Se tiver fé, reze.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Militares jamais!!!!

O texto abaixo é de autoria de Millôr Fernandes, humorista, cartunista, dramaturgo, tradutor e escritor, que já nos deixou:

"Se você agir sempre com dignidade, pode não melhorar o mundo,
mas uma coisa é certa: haverá na Terra um canalha a menos" (Millôr Fernandes)

Ainda bem que hoje tudo é diferente, temos um PT sério, honesto e progressista. Cresce o grupo que não quer mais ver militares no Poder, pelas razões abaixo.

Militar no Poder, nunca mais. Só fizeram lambanças. Tiraram o cenário bucólico que havia na Via Dutra de uma só pista, que foi duplicada e recebeu melhorias; acabaram aí com as emoções das curvas mal construídas e os solavancos estimulantes provocados pelos buracos na pista.

Não satisfeitos, fizeram o mesmo com a rodovia Rio-Juiz de Fora. Com a construção da ponte Rio-Niterói, acabaram com o sonho de crescimento da pequena Magé, cidade nos fundos da Baía de Guanabara, que era caminho obrigatório dos que iam de um lado ao outro e não queriam sofrer na espera da barcaça que levava meia dúzia de carros.

Criaram esse maldito do Proálcool, com o medo infundado de que o petróleo vai acabar um dia.

Para apressar logo o fim do chamado "ouro negro",
 deram um impulso gigantesco à Petrobras, que passou a extrair petróleo 10 vezes mais (de 75 mil barris diários, passou a produzir 750 mil); sem contar o fedor de bêbado que os carros passaram a ter com o uso do álcool.

Enfiaram o Brasil numa disputa estressante, levando-o da posição de 45ª economia do mundo para a posição de 8ª, trazendo com isso uma nociva onda de inveja mundial. Tiraram o sossego da vida ociosa de 13 milhões de brasileiros, que, com a gigantesca oferta de empregos, ficaram sem a desculpa do "
estou desempregado".

Em 1971, no governo militar, o Brasil alcançou a posição de segundo maior construtor de navios no mundo. Uma desgraça completa.

Com gigantesca oferta de empregos, baixaram consideravelmente os índices de roubos e assaltos. Sem aquela emoção de estar na iminência de sofrer um assalto, os nossos passeios perderem completamente a graça.

Alteraram profundamente a topografia do território brasileiro com a construção de hidrelétricas gigantescas (Tucuruí, Ilha Solteira, Jupiá e Itaipu), o que obrigou as nossas crianças a aprenderem sobre essas bobagens de nomes esquisitos.

O Brasil, que antes vivia o romantismo do jantar à luz de velas ou de lamparinas, teve que tolerar a instalação de milhares de torres de alta tensão espalhadas pelo seu território, para levar energia elétrica a quem nunca precisou disso.

Implementaram os metrôs de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza, deixando tudo pronto para atazanar a vida dos cidadãos e o trânsito nestas cidades.

Esses militares baniram do Brasil pessoas bem intencionadas, que queriam implantar aqui um regime político que fazia a felicidade dos russos, cubanos e chineses, em cujos países as pessoas se reuniam em fila nas ruas apenas para bater-papo, e ninguém pensava em sair a passeio para nenhum outro país.

Foram demasiadamente rigorosos com os simpatizantes daqueles regimes, só porque soltaram uma "
bombinha de São João" no aeroporto de Guararapes, onde alguns inocentes morreram de susto apenas.

Os militares são muito estressados. Fazem tempestade em copo d'água só por causa de alguns assaltos a bancos, seqüestros de diplomatas... ninharias que qualquer delegado de polícia resolve.

Tiraram-nos o interesse pela Política, vez que os deputados e senadores daquela época não nos brindavam com esses deliciosos escândalos que fazem a alegria da gente hoje.

Os de hoje é que são bons e honestos. Cadê os Impostos de hoje, isto eles não fizeram! Para piorar a coisa, ainda criaram o MOBRAL, que ensinou milhões a ler e escrever, aumentando mais ainda o poder desses empregados contra os seus patrões.

Nem o homem do campo escapou, porque criaram para ele o FUNRURAL, tirando do pobre coitado a doce preocupação que ele tinha com o seu futuro. Era tão bom imaginar-se velhinho, pedindo esmolas para sobreviver.

Outras desgraças criadas pelos militares: trouxeram a TV a cores para as nossas casas, pelas mãos e burrice de um Oficial do Exército, formado pelo Instituto Militar de Engenharia, que inventou o sistema PAL-M. Criaram ainda a EMBRATEL; TELEBRÁS; ANGRA I e II; INPS, IAPAS, DATAPREV, LBA, FUNABEM.

Tudo isso e muito mais os militares fizeram em 22 anos de governo. Pensa!! Depois que entregaram o governo aos civis, estes, nos vinte anos seguintes, não fizeram nem 10% dos estragos que os militares fizeram. Graças a Deus!

Ainda bem que os militares não continuaram no Poder!! Tem muito mais coisas horrorosas que eles, os militares, criaram, mas o que está escrito acima é o bastante para dizermos: "Militar no Poder, nunca mais!!!", exceto os domesticados.

Ainda bem que hoje estão assumindo o Poder pessoas compromissadas com os interesses do Povo.

Militares jamais! Os políticos de hoje pensam apenas em ajudar as pessoas que foram injustamente prejudicadas quando enfrentavam os militares com armas às escondidas com bandeiras de socialismo. Os países socialistas são exemplos a todos.

ALÉM DISSO, NENHUM DESSES MILITARES CONSEGUIU FICAR RICO. ÊTA INCOMPETÊNCIA!!! 

Carlos Ilich Santos Azambuja é Historiador.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Homenagem a um grande ser humano...

Transcrevo...


Por Nelson Motta
Se o mensalão não tivesse existido, ou se não fosse descoberto, ou se Roberto Jefferson não o denunciasse, muito provavelmente não seria Dilma, mas Zé Dirceu o ocupante do Palácio da Alvorada, de onde certamente nunca mais sairia.
Roberto Jefferson tem todos os motivos para exigir seu crédito e nossa eterna gratidão por seu feito heroico: "Eu salvei o Brasil do Zé Dirceu".
Em 2005, Dirceu dominava o governo e o PT, tinha Lula na mão, era o candidato natural à sua sucessão. E passaria como um trator sobre quem ousasse se opor à sua missão histórica. Sua companheira de armas Dilma Rousseff poderia ser, no máximo, sua chefe da Casa Civil, ou presidente da Petrobrás. Com uma campanha milionária comandada por João Santana, bancada por montanhas de recursos não contabilizados, vindos da corrupção deslavada pelo nosso Delúbio, e Lula com 85% de popularidade animando os palanques, massacraria Serra no primeiro turno e subiria a rampa do Planalto nos braços do povo, com o grito de guerra ecoando na esplanada: "Dirceu guerreiro/do povo brasileiro".
Ufa!..
A Jefferson também devemos a criação do termo "mensalão". Ele sabia que os pagamentos não eram mensais, mas a periodicidade era irrelevante. O importante era o dinheirão. Foi o seu instinto marqueteiro que o levou a cunhar o histórico apelido que popularizou a Ação Penal 470 e gerou a aviltante condição de "mensaleiro", que perseguirá para sempre até os eventuais absolvidos. O que poderia expressar melhor a ideia de uma conspiração para controlar o Estado, com uma base parlamentar comprada com dinheiro público e sujo, roubado do povo brasileiro? Nem Nizan Guanaes, Duda Mendonça e Washington Olivetto, juntos, criariam uma marca mais forte e eficiente.
Mas, antes de qualquer motivação política, a explosão do maior escândalo do Brasil moderno, quiçá do mundo, é fruto de um confronto pessoal, movido pelos instintos mais primitivos, entre Jefferson e Dirceu. Como Nina e Carminha da política, é a história de uma vingança suicida, uma metáfora da luta do mal contra o mal, num choque de titãs em que se confundem o épico e o patético, o trágico e o cômico, a coragem e a vilania. Feitos um para o outro!
O "chefe" sempre foi José Dirceu. Combativo, inteligente, universitário - não sei se completou o curso - fala vários idiomas, treinado em Cuba, de onde é e sempre será agente do serviço secreto de Castro, e na Antiga União Soviética, entre outras coisas, se aprimorou em guerrilha e guerra ideológica. E com uma fé cega em implantar a Ditadura do Proletariado a "La Cuba", no Brasil e no resto do continente.
Para isso usou e abusou de várias pessoas e, a mais importante - pelos resultados alcançados - era Lula. Ignorante, iletrado, desonesto, sem ideais, mas um grande manipulador de pessoas, era o joguete ideal para o inspirado José Dirceu. Lula não tinha, nem nunca terá, caráter nem ética, e até contava, entre risos, que sua família só comia carne quando seu irmão "roubava" mortadela no mercado onde trabalhava. Ou seja, o padrão ético era, e sempre será, vil e horrendo. E ele, o Dirceu, que fizera tudo direitinho, estava na hora de colher os frutos e implantar seu sonho no país.
Aí surgiu Roberto Jefferson... E deu no que deu. Ladrão que ferra ladrão, a lei lhe confere um tanto de perdão.

terça-feira, 15 de setembro de 2015